quinta-feira, 24 de julho de 2008

Quando o Vento Sopra Contrário

“Navegamos vagarosamente por muitos dias e tivemos dificuldades para chegar a Cnido.
Não sendo possível prosseguir em nossa rota, devido aos ventos contrários, navegamos ao sul de Creta, defronte de Salmona”.
(Atos 27:7)

Há momentos em nossas vidas em que os ventos parecem ser contrários. Nada dá certo!!! Nada funciona!!! Tentamos, tentamos, mas não conseguimos nos deslocar a lugar nenhum, tudo por que os ventos nos são contrários.
Lucas também chega a essa conclusão ao narrar a viagem de Paulo, que tinha por objetivo a cidade de Roma; nada contribuía para o êxito daquela viagem. Dois anos e meio preso, jogado de um lado para o outro, a vida andando em círculos e patinando, os dias de Paulo se resumiam à vida monótona de uma cadeia; quando finalmente, parecia que tudo ia dar certo, afinal havia conseguido embarcar em um navio que estava partindo para Roma, diz o texto que os ventos voltaram a soprar contrário e a viagem de Paulo tornou-se mais um problema, mais uma dificuldade e mais uma provação.
Os últimos dias me levaram a formular algumas questões: O que fazer quando tudo parece conspirar contra a nossa vida??? O que fazer quando, por mais que tentemos, não conseguimos ir a lugar algum??? O que fazer quando em nossas vidas ‘os ventos sopram contrários’, os céus estão blindados, Deus parece estar em silêncio e o ‘nosso barquinho’ começa a ser açoitado pelas ondas da vida???
O capítulo 27 do livro de Atos, nos narra em detalhes particularidades da viagem de Paulo a Roma, e também nos fornece algumas respostas valiosas para as perguntas acima, nos dando estratégias para enfrentarmos momentos de crise:
  • Devemos reavaliar as nossas prioridades
    “No dia seguinte, sendo violentamente castigados pela tempestade, começaram a lançar fora a carga. No terceiro dia, lançaram fora, com as próprias mãos, a armação do navio. [...] Depois de terem comido até ficarem satisfeitos, aliviaram o peso do navio, atirando todo o trigo ao mar”. (Atos 27:18-19 e 38)
    Toda crise produz em nossas vidas o efeito didático de reavaliarmos as nossas prioridades. E foi exatamente isso que Paulo e seus companheiros de viagem fizeram naquele momento crítico, o texto nos diz que eles não tiveram receio de jogar fora os seus pertences. Toda crise nos obriga a reformular nossas prioridades, enxergar o que realmente é importante. Isso me leva a concluir que quando o barco de nossas vidas estiverem sendo açoitados, é hora de revermos as prioridades, é hora de jogarmos ao mar aquilo que não tem muito valor, e nos agarrar àquilo que realmente importa.
  • Devemos nos agarrar às promessas iniciais de Deus
    “...pois ontem à noite apareceu-me um anjo de Deus a quem pertenço e a quem adoro, dizendo-me: ‘Paulo, não tenha medo. É preciso que você compareça perante César; Deus por sua graça, deu-lhe a vida de todos os que estão navegando com você”. (Atos 27:23-24)
    O navio estava sendo açoitado de um lado para o outro, todos estavam em desespero; entretanto, havia um que estava sereno dentro do barco. Quem era? Paulo! Paulo tinha uma promessa inicial de Deus, dita pelo Anjo que lhe aparecera na noite anterior: ele, apesar de todas as dificuldades chegaria a Roma para testemunhar de Cristo perante César. Os ventos eram impiedosos, o navio estava se partindo, mas Paulo estava sereno porque sabia que Deus jamais deixaria de cumprir as Suas promessas. Eis aqui mais uma conclusão: quando o barco de nossas vidas não estiver indo a lugar nenhum por conta dos ventos contrários, agarremo-nos às promessas de Deus, porquanto são infalíveis.
  • Devemos lembrar que Deus não promete sermos poupados DE sofrer; entretanto nos promete sermos poupados NO sofrer
    Um anjo do Senhor aparece para Paulo, consola-o e anima-o. Porém, não o saca da tempestade. Dá ânimo mas não lhe poupa do sofrer. E aqui está o nosso privilégio sem sermos crentes: Deus não nos poupa de sofrer, Deus nos poupa no sofrer!!! Não nos dá pernas ágeis para correr, nos dá ombros largos para suportar o peso da Cruz.

Quando o barquinho de nossas vidas estiver sendo açoitados pelos ventos que nos são contrários, devemos sempre nos lembrar dessas verdades que nos dão certeza de que nossas vidas estão seguras nas mãos do nosso Deus e que toda crise obedece a um propósito dentro de Seu plano eterno.

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito”.
(Romanos 8:28)

Fiquemos com essa verdade!!!

Dayene Roberta Alves

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Os Dois Lados da Cerca

“Então, respondeu Satanás ao SENHOR: Porventura, Jó debalde teme a Deus?
Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem?
A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na terra...;
Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto,
e a quem Deus cercou de todos os lados?".
Jó 1:10; 3:23

Jó era um homem justo, temente e integro em sua geração. E Deus o fizera extremamente próspero e rico; contudo, a história de sua vida, sofre um tremendo revés e ele perde tudo quanto possuía. Perde a sua riqueza, perde a sua família, perde a sua saúde, perde os seus amigos e por fim até a sua vontade de viver e diante da avalancha de tristeza e tumultuo que estava enfrentando pede a Deus a sua própria morte. No livro que toma o seu nome, encontramos diversas perspectivas e variados pontos de vistas, todos eles tentando explicar, dar um sentido à situação vivida por Jó.
Dentre elas temos a perspectiva da esposa de Jó, que de acordo com sua hermenêutica custo-benefício, entendia ter feito Jó um mau investimento na escolhera de "deus" errado: "Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre." (Jó 2:9). Em outras palavras ela estava dizendo: "por que continuas a honrar a esse Deus que não honrou a sua fé? Amaldiçoa esse Deus ingrato e morre". Os amigos confortadores de Jó também apresentam a sua hermenêutica dos fatos e do seu ponto de vista tentam explicar. Alguns deles dizem: "Jó, você está sofrendo por causa que você tem pecado aos olhos de Deus. Você tem sido arrogante, você não tem sido humilde o bastante para reconhecer a soberania de Deus".
Desta forma o livro de Jó está cheio de perspectivas quanto ao sofrimento de Jó, todas aquém da realidade do propósito de Deus. Mas há duas que se geminam na correta interpretação dos mesmos. A perspectiva de Satanás e do próprio Jó. Por que tudo isso estava acontecendo na vida de Jó? Do ponto de vista de ambos, é porque Deus tinha cercado a Jó e sua família com uma cerca de bênçãos através da qual, Deus estava dirigindo-o, guiando-o e protegendo-o.
Era a cerca de Deus. Porém vista de lados diferentes, de ângulos diferentes. De um lado da cerca está satanás com sua visão em relação a cerca. Do outro, está Jó com a sua visão. Ambos olham para a mesma cerca, com perspectivas distintas. Para Satanás a cerca que prendia Jó àquela realidade dolorosa, de perda, de lágrimas era a mesma cerca que o impedia de destruir a sua vida; para Jó era a cerca que o prendia, o cerceava, que lhe tirou os sonhos, que o fazia sofrer. Para Satanás era aquilo que protegia Jó de seus ataques cruéis que poderiam destruir com a vida de Jó. Aquilo que limitava Jó é a mesma coisa que o protegia.
Se essa efetivamente era a razão de tudo que aconteceu com Jó, por que ele reage tão negativamente em relação à cerca de Deus? É porque a nossa atitude em relação à cerca depende muito de nossa particular situação?
Cercas têm diferentes perspectivas. E o nosso ponto de vista da mesma depende da nossa situação pessoal. Veja que Satanás no capítulo 1, verso 10 tem percepção que há uma cerca de proteção ao redor do crente. Ele disse: "Acaso, não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem?". Mas quando vamos para o capítulo 3, verso 23 vemos que a cerca que na perspectiva de Satanás era um motivo de bênçãos para o patriarca, para Jó, passou a ser vista como um grande problema. Ele sentiu que ela estava apertando-o, estava restringindo-o, estava prejudicando-o: "Por que se concede luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus cercou de todos os lados?".
Satanás sabia o valor da cerca melhor do que Jó. Ele havia circundado a cerca inteira para ver se havia um "buraco", uma brecha que ele pudesse explorar contra este homem de Deus. Mas ele não pode achar. Ele não podia atravessar para o outro lado. Essa é a visão que Satanás tinha da cerca e que Jó não estava conseguindo ter. O problema de Jó na maioria do tempo é o nosso problema também, estamos sempre olhando para o lado errado da cerca. Nós vemos a obstrução do nosso caminho, a restrição de nossos planos e de nossos sonhos, mas nós não vemos que do outro está Satanás – o diabo.
Para que lado da cerca estamos olhando? Qual perspectiva temos adotado diante dos problemas? Qual tem sido a nossa atitude em relação às cercas de provações que Deus tem colocado em nossa vida? A resposta vai depender de para que lado da cerca você está olhando. O diabo fala dessa cerca de Deus sempre com vexação e mal humor.
Devemos nos lembrar que, sempre que nos depararmos com uma cerca de problemas diante de nós, ela sempre terá dois lados. A mesma cerca que prende é a mesma que protege, que guarda. O desejo do meu coração é que não nos esqueçamos nunca de olhar para o outro lado, pois se de um lado estamos com nossa dor, nossas perdas, nossas lágrimas; do outro lado estará Satanás bufando de ira por que Deus nos cercou por todos os lados!!!
Pensemos nisto!!!

Dayene Roberta Alves